Caiu no chão? Regra dos 5 segundos? Não é bem assim.

Caiu no chão? Regra dos 5 segundos? Não é bem assim.

Estudo mostra que a ‘regra’ sobre contaminação do alimento que cai no chão é falsa. Uma fração de segundo é suficiente para a contaminação por bactérias

Sabe aquela ‘regra’ que diz que se você pegar um alimento que caiu no chão em até 5 segundos, ele ainda está bom para comer? Pois é. Não é bem assim. (iStockphoto/Getty Images)

Diz a a sabedoria popular que qualquer alimento que caiu no chão e foi recolhido em até 5 segundos pode ser consumido. Há quem reduza esse tempo para apenas 3 segundos e outros que afirmam que, se for retirado em até 15 segundos, está tudo certo. Mas, afinal, é seguro comer um alimento depois que ele caiu no chão, mesmo que tenha fica lá apenas por alguns instantes? Um novo estudo afirma que não.

O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade Rutgers , em Nova Jersey, nos Estados Unidos, publicado recentemente na revista científica Applied and Environmental Microbiology, bactérias podem se transferir para o alimento mesmo em uma fração de segundo. Claro que o tipo de superfície, de alimento e o tempo de contato farão diferença.

Caiu no chão?  Regra dos 5 segundos? Não é bem assim.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram o contato de quatro tipos de alimento (pão branco, pão com manteiga, fatias de melancia e bala de goma) em quatro tipos de piso  (azulejo, madeira, carpete e aço inox) por um período que variou entre menos de um segundo até cinco minutos.

Antes de “derrubarem” os alimentos nas superfícies, elas foram contaminadas com a bactéria Enterobacter aerogenes, similar à salmonela. No total, foram testadas 128 combinações de superfície, alimento e tempo de permanência testadas vinte vezes cada uma, o que corresponde a 2 560 medidas a ser analisadas.

“Nossa principal conclusão é que a regra dos 5 segundos não é verdadeira. Bactérias podem se transferir para o alimento mesmo em uma fração de segundo. Mas o tempo de contato faz bastante diferença”, comenta o professor Donald Schaffner, um dos responsáveis pelo estudo.

Os resultados mostraram que a fatia de melancia teve a maior taxa de contaminação do experimento, com até 97% em cinco segundos sobre o piso cerâmico. Com menos de um segundo no aço inox, a contaminação já era de 91%. De acordo com os cientistas, isso ocorre por causa da composição da fruta, que tem muito líquido e é pegajosa. As balas de goma de ursinhos, por exemplo, são mais secas e obtiveram as menores taxas de contaminação, com 11% após cinco minutos sobre o azulejo.

O carpete foi a superfície menos contaminante. Os pesquisadores afirmam que isso não significa que seja o mais seguro ou limpo, apenas que a topografia do tecido impede que o alimento entre em contato com a sujeira.

Risco baixo

Segundo o autor, o risco de contrair alguma doença após ingerir um alimento que caiu no chão não depende só da presença ou não de bactérias, mas do tipo delas. A maioria é inofensiva para o organismo humano e não causará mal algum, mas algumas cepas como a E. coli ou salmonela podem causar graves infecções abdominais.

Apesar dos resultados, ao ser questionado se come do chão, Schaffner diz que sim. “Eu como quando é algo seco e cai no chão da minha casa, porque sei que foi limpo recentemente. Nunca como quando é um alimento úmido e jamais comeria do chão dos outros”, disse ao jornal Folha de S. Paulo.

 

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