Um remédio que foi desenvolvido para tratar a pressão alta é a nova esperança de quem tem Alzheimer.

O Alzheimer é uma doença neuro-degenerativa que provoca o declínio das funções cognitivas, reduzindo as capacidades de trabalho e relação social e interferindo no comportamento e na personalidade da pessoa. De início, o paciente começa a perder sua memória mais recente. Pode até lembrar com precisão acontecimentos de anos atrás, mas esquecer que acabou de realizar uma refeição. Pesquisadores descobriram que uma droga chamada nilvadipina, consumida para controlar a hipertensão arterial, também pode ajudar a combater a doença de Alzheimer sem afetar outras partes do cérebro. A nilvadipina é um bloqueador dos canais de cálcio usado no tratamento da hipertensão arterial. Ela é conhecida no meio médico de todo o mundo e vendida em vários países, mas ainda não é comercializada no Brasil (em Portugal, sim).

De acordo com o estudo publicado no Hypertension Journal, da American Heart Association, estes resultados indicam que a diminuição no fluxo sanguíneo cerebral em pacientes com o mal de Alzheimer pode ser revertida em algumas regiões com o uso desse medicamento.

“Este tratamento para pressão alta é promissor, pois não parece diminuir o fluxo sanguíneo para o cérebro, o que poderia causar mais danos do que benefícios”, disse o principal autor do estudo, Jurgen Claassen, professor associado da Universidade Radboud, na Holanda.

“Mesmo que nenhum tratamento médico seja sem risco, conseguir tratamento para pressão alta pode ser importante para manter a saúde do cérebro em pacientes com doença de Alzheimer”, disse Claassen.

Para o estudo, os pesquisadores procuraram descobrir se o nilvadipina poderia ajudar no tratamento da doença de Alzheimer, comparando o uso desse remédio e um placebo em pessoas com doença de Alzheimer de leve a moderada. Pesquisadores randomizaram 44 participantes para receber nilvadipina ou placebo por seis meses. Eles mediram o fluxo sanguíneo para regiões específicas do cérebro usando uma técnica única de ressonância magnética. Os resultados mostraram que o fluxo sanguíneo para o hipocampo, a região de memória do cérebro e o centro de aprendizado, aumentou em 20% entre o grupo que consumiu nilvadipina comparado ao grupo do placebo. O fluxo sanguíneo para outras regiões do cérebro foi inalterado em ambos os grupos. No entanto, os tamanhos das amostras ainda são pequenos e o tempo de investigação muito curto para estudar com segurança os efeitos do aumento do fluxo sanguíneo cerebral nas áreas estruturais e cognitivas do cérebro, advertem os pesquisadores.

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